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Friday, February 15, 2013

Tudo Que É Preciso São 10 Minutos Consciente

Quando foi a última vez que você ficou sem fazer nada por 10 minutos? Sem enviar mensagem de texto, conversar or mesmo pensar? O especialista em meditação, Andy Puddicombe, descreve o poder transformador de fazer apenas isso: Revigorar a sua mente com 10 minutos por dia, simplesmente estando consciente e experienciando o momento presente. Sem precisar de incenso ou sentar em posições estranhas.

Video: 



Transcrição:

" Nós vivemos em um mundo incrivelmente atarefado. O ritmo de vida é frenético, nossas mentes estão sempre ocupadas, e estamos sempre fazendo algo.

Por isso, gostaria que você parasse para pensar, quando foi a última vez que você não fez nada?  Somente 10 minutos, sem perturbação?  E, quando digo nada, eu digo nada mesmo. Sem emails, SMS, internet, sem tv, sem chat, sem comer, sem ler, nem mesmo sentar e ficar remoendo o passado ou planejando o futuro. Simplesmente não fazendo nada. Vejo muitos rostos pálidos. Imagino que vocês tenham que ir bem lá trás.

É algo extraordinário, certo? Estamos falando sobre nossa  mente. A mente, o nosso recurso mais valioso e precioso,  com a qual vivenciamos cada momento de nossas vidas, a mente que contamos para sermos felizes, contentes, estáveis emocionalmente como indivíduos, e ao mesmo tempo para sermos  gentis e atenciosos e termos consideração com os outros. Esta é a mesma mente que dependemos para sermos focados, criativos, espontâneos e fazermos o melhor em tudo que fazemos. Mesmo assim, nós não tiramos um tempo para cuidá-la. Na verdade, nós cuidamos mais dos nossos carros, das nossas roupas e do nosso cabelo do que nós mesmos - ok, talvez não do cabelo não conte, mas vocês sabem onde quero chegar. 

A consequência, é claro, que ficamos estressados. A mente zune como uma máquina de lavar rodando sem parar,  muitas complicações, emoções confusas, e não sabemos como lidar con isso, o pior é que nós ficamos tão distraídos que não estamos mais presentes no mundo em que vivemos. Nós deixamos de ver as coisas mais importantes para nós, e o mais engraçado é que todo mundo aceita que a vida é assim, e seguem em frente. Não é realmente assim que a vida deve ser.

Eu tinha uns 11 anos quando fui à minha primeira aula de meditação. E acredite, ela tinha todos os estereótipos que vocês imaginam, sentar no chão com as pernas cruzadas, o incenso, o chá de ervas, os vegetarianos, tudo. Minha mãe ia e fiquei curioso, então fui junto. Eu tinha visto alguns filmes de kung fu e, secretamente, eu imaginava que aprenderia a voar, mas eu era muito novo na época. Quando eu estava lá, assim como muitas pessoas, eu presumi que era apenas uma aspirina para a mente. Você está estressado, você faz meditação. Eu não imaginava que podia ser algo preventivo, até meus 20 anos, quando muitas coisas aconteceram na minha vida  em pouco tempo, coisas  sérias que viraram minha vida de pernas para o ar de repente e eu me via inundado de pensamentos, inundado de emoções  difíceis que eu não sabia lidar. Quando eu lidava com uma, outra surgia novamente. Foi um período muito estressante para mim.

Penso que cada um lida com o estresse de diferentes formas. Algumas pessoas se atolam no trabalho,  agradecendo pela distração. Outras procuram apoio nos amigos, na família. Outras caem na bebida ou tomam remédios. O meu modo de lidar com isso foi me tornar monge.  Então, larguei a faculdade e fui para o Himalaia, me tornei um monge e aprendi a meditar.

As pessoas me perguntam o que aprendi naquele tempo. Bem, é óbvio que as coisas mudaram. Vamos ser sinceros, tornar-se um monge celibatário muda muita coisa. Mas foi mas do que isso. Eu aprendi a ter um maior reconhecimento, um entendimento sobre o momento presente.  Não se perder em pensamentos, não estar distraído, não estar 
atormentado por emoções difíceis, mas aprender a estar no aqui e agora, como estar consciente, como estar presente.    

Eu acho que o momento presente é muito subestimado. Parece banal, mas passamos tão pouco tempo no momento presente que pode ser tudo, menos banal.  Uma pesquisa feita por Havard, recentemente, diz que em média nossas mentes estão distraídas em pensamentos em quase 47 por cento de tempo. Quarenta e sete por cento. Ao mesmo tempo, essa divagação da mente é também causa direta da infelicidade. Bem, não estamos aqui por muito tempo, mas desperdiçarmos metade da vida divagando em pensamentos e potencialmente infelizes, sei lá, parece trágico, especialmte quando há algo que podemos fazer a respeito, quando há algo positivo, prático atingível, uma técnica cientificamente comprovada que permite a nossa mente ser mais saudável, mais consciente e menos distraída. O mais lindo de tudo isso é que com apenas 10 minutos por dia, isso causa um impacto em toda nossa vida.

Mas temos que aprender como fazer. Precisamos exercitar. Precisamos de um sistema que nso ensine a sermos mais conscientes. Isso é basicamente o que a meditação é. Ela nos familiariza com o momento presente. Mas temos que aprender como conduzi-la ao caminho certo para aproveitarmos o melhor dela. É para isso que elas estão aqui, caso vocês se perguntem, porque muitas pessoas presumem que a meditação é apenas parar de pensar, livrar-se das emoções, de alguma forma controlar a mente, mas realmente ela é bem diferente disso. É mais sobre como dar um passo para trás, ver claramente o pensamento,  vê-lo vindo e indo, emoções vindo e indo, sem julgamento, mas com uma mente relaxada e focada.

Por exemplo, neste momento, se eu foco demais nas bolas, então não tem como eu relaxar e falar com vocês ao mesmo tempo. Se eu relaxo demais ao falar com vocês, não tem como eu focar nas bolas. Vou deixá-las cair. Assim na vida, como na meditação, há momentos em que o foco  se torna muito intenso e  a vida se torna um pouco assim. É um modo muito desconfortante de viver a vida, quando você fica tenso e estressado. Em outros momentos, se nos soltarmos demais, as coisas ficam um pouco assim.  E, é claro na meditação - nós acabamos dormindo. Por isso procuramos um equilíbrio, um relaxamento focado que permita nossos pensamentos ir e vir sem o envolvimento habitual.

O que acontece geralmente quando aprendemos a ser "mindful", é que nos distraimos com pensamentos. Vamos supor que isto é um pensamento ansioso. Tudo vai bem e então você vê o pensamento ansioso e pensa: "Ai, eu não tinha percebido que eu estava preocupado com isso."  Você repete. "Ai, eu estou preocupado. Ai, eu estou realmente preocupado.  Uau, é muita ansiedade." E antes que nós percebamos, estamos ansiosos por nos sentirmos ansiosos. Isto é uma loucura. Fazemos isso o tempo todo, todos os dias. Se você pensar na última vez que  você teve um dente solto, eu pessoalmente não lembro.  Você sabe que está solto, e sabe que dói. Mas, o que você faz a cada 20, 30 segundos? Dói. E reenforçamos a história, certo? Remoemos para nós mesmos e fazemos isso o tempo todo. É apenas aprendendo a observar a mente que podemos começar a nos livrar dessas histórias e padrões mentais. Mas, quando você sente e observa a mente desta maneira, você pode ver mutos padrões diferentes. Você pode ver uma mente que é muito inquieta o tempo todo. Não fiquei surpreso se você sentir o seu corpo um pouco agitado quando você sentar sem fazer nada e sentir sua mente assim. Você pode achar a mente lenta e entediante, quase mecãnica, parece qua você apenas acorda, vai ao trabalho, come, dorme, acorda, trabalha. Ou pode ser um pensamento incômodo que fica girando, girando e girando em sua mente. Bem, seja o que for, a meditação oferece a oportunidade de dar um passo para trás e ter uma perspectiva diferente,  para ver que as coisas nem sempre são o que parecem ser. Não podemos mudar cada coisinha qua acontece na nossa vida, mas podemos mudar o modo como a vivenciamos. Este é o potencial da meditção, do raciocínio.  Você não precisa queimar nenhum incenso, e você definitivamente não precisa sentar no chão. Tudo o que você precisa são 10 minutos por dia para dar um passo para trás, familiarizar-se  com o presente para experienciar uma sensação maior de foco, calma e clareza na sua vida. Muito obrigado." 

Créditos: Ted
              Headspace


Wednesday, October 24, 2012

Enigmas Do Cérebro : Meditação É Usada Em Tratamentos Médicos

Pesquisas comprovam que o cérebro de quem medita regularmente, diferente de quem não tem este hábito, é mais eficiente em algumas tarefas e mais preservado.

Video:



Monday, July 9, 2012

Sunday, January 29, 2012

Mentes Cada Vez Mais Doentes

A julgar pelo número de pessoas que têm suas vidas afetadas por transtornos mentais – cerca de 400 milhões em todo o mundo – e pelas projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), o futuro não será leve para o nosso cérebro: uma em cada cinco pessoas, em algum momento da vida, terá uma alteração psiquiátrica que necessite de acompanhamento especializado. 


O crescimento do número de pessoas diagnosticadas com depressão e outros transtornos mentais, como ansiedade e pânico, acontece por uma combinação de fatores: de alterações biológicas à herança genética, passando pelo estilo de vida excessivamente atarefado, pela queda de preconceitos diante das doenças mentais e pelas técnicas mais avançadas de diagnóstico. 

“É simplista dizer que a causa é [somente] biológica, psicológica ou social. Esses termos não levam em conta a interação entre esses mundos. Acredita-se que exista uma propensão biológica que, aliada a fatores estressantes e precipitadores [situações de trauma], pode levar ao desenvolvimento de doenças mentais”, explica o assessor do Mi­­nistério da Saúde e da OMS Neu­ry José Botega, professor do departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Uni­versidade Estadual de Cam­­pinas (Unicamp).


Dados mostram que 18,4% dos brasileiros têm pelo menos um episódio  depressivo durante a vida, o que coloca o país na terceira colocação  no ranking de mais deprimido do mundo (ver infográfico) – em primeiro lugar vem a França (21%) e, em segundo, os Estados Unidos (19,2%). Apesar dos números alarmantes, os profissionais da saúde explicam que interpretá-los como um sinal de epidemia de doenças mentais é incorreto. 

"De  fato cresce o número de certos  problemas mentais, como   depressão e dependência química. Mas, além do  aumento da  incidência,  as pessoas estão mais conscientes sobre esse tipo de situação eprocuram atendimento", avalia Botega.

O professor explica  que não  sofremos apenas dos males do corpo ou de "doenças físicas", mas  também somos  acometidos  pelos males da mente  que, apesar de  serem menos palpáveis,  demadam cuidados  médicos. "Dizer com  certo desprezo 'você não tem nada, isso é coisa da sua cabeça', só faz aumentar o sofrimento de uma pessoa que tem um problema para o qual a medicina não tem remédio fácil", alerta o professor da Unicamp.


Detecção tem seus prós e contras
Nos consultórios, duas listas de de classificação de doenças, o Código Internacional de Doenças (CID-10) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM-IV), na sigla em inglês) permitem aos psiquiatras avaliar os sintomas de seus pacientes. Apesar de serem úteis para o diagnóstico de transtornos mentais, porém, os manuais não estão livres de críticas. "Ambos tentam encaixar os pacientes em categiorias, em vez de trabalhar os problemas de forma individual. Eles não levam em consideração o todo, a história das pessoas", analisa o psiquiatra e presidente da Sociedade Para­­naense de Psiquiatria (SPP), André Rotta Burkiewicz.
O americano DSM, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, é alvo de críticas porque a cada edição, ao revisar os critérios de transtornos mentais, coloca novos comportamentos nessa categoria. A quinta edição do DSM, a ser lançada em 2013, poderá incluir o luto – considerado um período de tristeza normal que dura cerca de dois a três meses – como uma situação característica da depressão. Isso levaria milhares de pessoas a serem diagnosticadas com a doença. Em sua primeira edição, em 1952, o DSM listava 106 doenças, contra 297 da última publicação, feita em 1994.
“A padronização ajudou a melhorar o processo de atendimento, pois antigamente as pessoas sofriam de depressão a vida toda e não recebiam o tratamento adequado, mas ela também pode levar a um excesso de diagnósticos”, pondera o supervisor do Ambulatório de Psiquiatria da Infância e Ado­lescência do Hospital de Clí­nicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Gustavo Ma­­noel Schier Dória.
“É um erro confundir tristezas normais da vida, como reações após perdas ou frustrações, com a depressão. O diagnóstico deve ser feito com cuidado, com avaliação da história clínica, registro dos principais sinais e sintomas e sua persistência ao longo do tempo, além do impacto do quadro na rotina da pessoa”, exemplifica o professor Neury José Botega, do departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Uni­­ver­­sidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Monday, December 5, 2011

Como A Meditação Pode Tratar Distúrbios Psiquiátricos



Em um novo estudo, exames de ressonância magnética mostram que meditadores podem ser capazes de 'desligar' áreas do cérebro associadas ao autismo e a esquizofrenia. 


Problema: A meditção pode auxiliar a lidar com o cancer, a conter a vontade de fumar e prevenir a psoríase. Além disto, sua capacidade de ajudar as pessoas a manter o foco tem sido associada com aumento da felicidade. Pode o entendimento do que acontece no cérebro, quando nós nos sentamos e focamos, nos levar também a pistas de como tratar distúrbios psiquiátricos?


Metodologia: Pesquisadores de Yale dirigidos pelo professor assistente de psiquiatria Judson A. Brewer utilizaram exames de ressonância magnética para escanear meditadores experientes e novatos enquanto eles praticavam diferentes técnicas de meditação.

Resultados: Meditadores experientes tiveram diminuição da atividade na rede neural em modo padrão do cérebro - áreas que estão associadas a distúrbios como ansiedade, déficit de atenção, hiperatividade e doença de Alzheimer. Quando esta rede estava ativa, regiões do cérebro associadas com a automonitoramento e controle cognitivo também estavam ativadas em meditadores experientes, mas não em novatos. Isto sugere que os meditadores treinados podem ser capazes de simultaneamente monitorar  e suprimir o surgimento de pensamentos sobre o 'eu' e a vontade de sonhar acordado. Em formas patológicas, esses estados são ligados a doenças como autismo e esquizofrenia.


Conclusão: Meditadores experientes parecem ser capazes de 'desligar' áreas do cérebro associadas com devaneios e distúrbios psiquiátricos - tais como autismo e esquizofrenia.

Implicações: Meditadores experientes podem ter desenvolvido uma rede em modo padrão menos autocentrada a qual potencialmente poderia ser explorada em aplicações clínicas. "A preocupação com os pensamentos sobre si é uma marca registrada de muitas formas de doença mental , e a a meditação parece afetar esta condição", disse Brewer em um comunicado. "Isso nos da algumas pistas boas de como os mecanismos neurais nesta situação poderiam estar trabalhando clinicamente."

Fonte: O estudo completo, "A Experiência da Meditação Está Associada a Diferenças de Atividade e Conectividade na Rede em Modo Padrão" (tradução literal), foi publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences, November 23, 2011.





Obs: DMN – Default Mode Network – Rede em Modo Padrão ou Rede neural em estado padrão. A DMN e conhecida como uma rede de regiões do cérebro que são ativadas conjuntamente quando o indivíduo não está focado no mundo exterior  e o cérebro está em repouso vigilante ( ou em Alerta durante o repouso) . Pensava-se que o cérebro simplesmente “desligava”. Sabe-se, hoje, através de estudos de ressonância funcional que este “repouso” e um processo ativo com participação de estruturas cerebrais específicas. 

Video Meditação: Observing



Mosen on Vimeo

Sunday, December 4, 2011

Por Que Somos Felizes?

Dan Gilbert, autor de " Stumbling on Happiness" (Tropeçando na Felicidade), contesta a idéia de que seremos infelizes se não tivermos o que queremos. Nosso 'sistema imunológico psicológico' permite que sejamos felizes mesmo quando as coisas não são como planejamos.


Video Filmado em 2004 é muito elucidativo.




Legendado em português


Fonte: TED
Daniel Gilbert

Tuesday, June 28, 2011

Quais Os Reais Benefícios Da Meditação?

Para fala dos reais benefícios da meditação, Luciana Ferreira recebe nos estúdios da Jovem Pan Online o médico Dr. Roberto Cardoso, autor do livro "Medicina e Meditação - Um médico ensina a meditar".


Video: Parte 1



Video: Parte 2



Fonte: JP Online

Sunday, May 15, 2011

Reforma Psiquiátrica Completa Dez Anos em Meio a Critica

No mês passado, a lei que estabeleceu a reforma psiquiátrica no Brasil completou dez anos. A regra mudou a estrutura do atendimento em saúde mental e também abriu uma cisão entre os especialistas da área. 

De um lado, entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria criticam a redução do número de leitos em hospitais psiquiátricos e o que chamam de visão ideológica dos transtornos mentais. Do outro, o Ministério da Saúde e o movimento de Luta Antimanicomial, cujo dia é comemorado na quarta-feira, se levantam contra o tratamento nos hospitais, tido como desumano e ineficaz. 

Com a reforma, o atendimento foi transferido dos hospitais psiquiátricos para a rede extra-hospitalar, em especial, os Caps (Centros de Atenção Psicossocial). Em 2002, havia mais de 52 mil leitos em hospitais psiquiátricos no país. Hoje, segundo o Ministério da Saúde, são menos de 33 mil, mais a rede de 1.650 Caps e 571 residências terapêuticas.


Para Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, o saldo e negativo. "O doente foi despejado na rua."

Segundo ele, parte do problema foi transferido para as prisões. Silva estima que 12% da população carceraria tenha doença mental grave. 

Para o psiquiatra Roberto Tykanori, coordenador técnico de saúde mental do ministério, a reforma ampliou o atendimento. "Antes, o acesso se resumia aos hospitais. Agora, a pessoa é atendida no ambiente em que vive, e não em um local isolado, segregador, cheio de desconhecidos." 

Monday, October 12, 2009

A Humanidade É Bipolar, Entrevista Com Wolfgang Sperling

Segundo o psiquiatra alemão Wolfgang Sperling, a humanidade é bipolar.Para ele a recessao e a pandemia são só sintomas de uma doença coletiva global.


O vírus da gripe suína surgiu num momento auspicioso – para o vírus, é claro. O agente causador da pandemia iniciou seu assalto a humanidade em abril, no México. Seis meses antes, a quebra do banco americano Lehman Brothers aprofundou a maior crise econômica em 80 anos. Se o mundo não estivesse em recessão, talvez o surto de gripe não tivesse virado pandemia, diz o psiquiatra alemão Wolfgang Sperling, na revista Medical Hypothesis. Sperling culpa os novos meios de comunicação. A rapidez com que a imprensa noticiou a falência do Lehman e o surto no México gerou ondas globais de pânico, só comparáveis a alegria gerada pelos primeiros sinais de retomada. Esse fenômeno faz a população oscilar entre a euforia e a depressão. “Se a humanidade fosse um paciente, ela seria bipolar.”


Wolfgang Sperling, de 45 anos, e psiquiatra e professor na Clínica Psiquiátrica e de Psicoterapia da Universidade de Erlangen-Nurnberg, em Erlangen, na Alemanha.


Sperling pesquisa os efeitos epidemiologicos do alcoolismo e dos distúrbios de comportamento, como a síndrome do pânico, a desordem bipolar e a esquizofrenia.

E autor e coautor de 70 artigos em mais de 20 publicações científicas como Alcohol and Alcoholism, Medical Hypothesis e Neuropsychobiology.

Como o senhor vê a reação global a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008?

Wolfgang Sperling – O que houve foi um efeito dominó. A quebra do Lehman Brothers desencadeou uma reação em cadeia global de pânico nos mercados financeiros, levando a quebra de outros bancos, e assim por diante. Tudo se deu muito rápido. Em questão de minutos, a onda de pânico deu a volta ao mundo, atingindo praticamente todas as pessoas com conexão a internet. Quando se analisa aquela reação em cadeia global, percebe-se que as novas mídias tiveram papel crucial na crise. O Lehman Brothers foi apenas a primeira pedra. A culpa da crise e dos meios de comunicação.

O senhor diz que a pandemia é uma consequência da crise. Como assim?
Sperling – Eu enxergo a pandemia como um efeito indireto da crise global. O novo vírus influenza A(H1N1) surgiu no México, em abril. Apesar de não ser mais perigoso que o vírus da gripe comum, o H1N1 deu origem a uma pandemia. O que explica a eclosão da pandemia e a existência de uma conexão entre o surgimento do H1N1 e a crise mundial. Essa conexão são os meios de comunicação.


É uma hipótese muito ousada.
Sperling – Não, não é. Há precedentes. Esta não é a primeira vez que uma pandemia sucede a uma crise econômica. Quem se lembra da síndrome respiratória aguda grave (Sars, de suas iniciais em inglês), uma forma letal de resfriado que matou 800 pessoas na China e no Canadá, em 2003? A Sars foi a primeira pandemia do século XXI. Ela ocorreu após o estouro da bolha da internet, em 2000, e os ataques de 11 de setembro de 2001. Hoje, temos a gripe suína.

Mas qual e o papel dos meios de comunicação nessa história?
Sperling – Eu não conseguia entender como podiamos ter duas pandemias num espaço tão curto de tempo. A resposta veio quando analisei os aspectos econômicos e tecnológicos da questão. No mundo globalizado, as pessoas viajam de um continente para outro em menos de um dia. Elas estão conectadas 24 horas por dia. As condições estavam dadas para que os meios de comunicação pudessem incendiar o planeta com a notícia da quebra do Lehman. Fizeram o mesmo com o H1N1. Não importa o lugar, Alemanha, Brasil ou Fiji, todos sabem o que e a gripe suína. Há cem anos, ninguém saberia.


Ainda não está clara qual seria a conexão entre a crise e a pandemia.
Sperling – A primeira vez que uma crise mundial e uma pandemia ocorreram em sucessão não foi em 2009, com o H1N1, nem em 2003, com a Sars. Foi no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o pior conflito que a humanidade viveu até então. A Grande Guerra foi o primeiro evento global, que conectou todo o planeta. Em 1918, após quatro anos de conflito e 10 milhões de mortos, as pessoas estavam cansadas, famintas, sem esperança. Os milhões de soldados nas trincheiras da Europa tinham vindo de todos os cantos do mundo e não queriam mais lutar. Não viam sentido no conflito. Foi quando eclodiu a Gripe Espanhola de 1918. Ela deu a volta ao mundo em seis semanas, mas a população só soube disso muito depois. A diferença entre 1918 e 2009 e que hoje, graças as telecomunicações, nossa sociedade é transparente. Sabemos o que ocorre do outro lado do mundo em tempo real. A crise bancária foi um produto dessa sociedade transparente.


O crash da Bolsa de Nova York, em 1929, não antecedeu a uma pandemia.
Sperling – É, mas o crash de 1929 talvez tenha sido mais localizado. Não foi uma crise global que contaminou todos os mercados financeiros, pois eles não eram interligados como hoje. Em tempos de globalização, se um banco alemão tem problemas de caixa, isso pode refletir imediatamente em bancos no Brasil. Não foi assim em 1929. Por isso, aquela crise não pode ser comparada a de hoje.

Mas recessões e guerras são eventos independentes de uma pandemia.
Sperling – Não, não são. Graças às telecomunicações, todo o mundo sabe tudo o que acontece o tempo todo. Esse bombardeio de informações cria sentimentos de euforia e de depressão. Na medicina, um paciente que alterna estados de euforia e depressão sofre de síndrome bipolar. Emoções semelhantes estão por trás dos movimentos de alta e baixa do mercado acionário. Não é novidade. Em 1996, Alan Greenspan, o então presidente do Federal Reserve (o banco central americano), alertava para o risco do que chamou de “exuberância irracional dos mercados”. Era o periodo de euforia da bolha da internet. Quando ela estourou, em 2000, a euforia deu lugar a depressão. É o que vemos hoje. O incrível é que o sentimento de depressão que se alastrou pelo mundo há um ano já esta sumindo. As Bolsas voltaram a subir – sem razão aparente alguma. É o mesmo processo. Ninguém pode detê-lo. O mesmo se da com a pandemia. Não se pode contê-la. Essa é a conexão entre dois eventos muito diferentes, um na esfera econômica, o outro na esfera da saúde. A humanidade sofre de síndrome bipolar global.

"A humanidade começa a manifestar claramente momentos

Síndrome bipolar global (SBG)?!?
Sperling – A síndrome bipolar e a alternância brusca entre dois sentimentos muito diferentes que causam ansiedade. De um lado, temos as emoções ligadas ao estado de depressão. De outro, aquelas ligadas ao estado de euforia, o que chamamos de manias. Para mim, a humanidade começa a manifestar claramente momentos de alternância emocional entre a euforia e a depressão.


A humanidade está doente?
Sperling – A psicose bipolar é uma forma de doença psiquiátrica. Se olharmos os acontecimentos dos últimos anos, veremos que a SBG e o fator definidor de tudo o que vem acontecendo no mundo – não só na órbita da economia. Esse fenomeno faz parte das transformações causadas na sociedade pelo advento dos novos meios de comunicação.


Quais são os sintomas da SBG?
Sperling – Os principais sintomas são uma ansiedade incontrolável e a dificuldade de reagir de modo adequado aos problemas. No limite, os sintomas se assemelham aos de um paciente com síndrome do pânico. Quem sofre de panico escolhe fugir dos problemas, deixar tudo para trás. Jamais enfrenta a situação que causa o pânico para buscar uma solução. Na SBG acontece o mesmo. Quando um banco quebra, todos saem correndo.

Então, a SBG seria a conexao entre a crise global e a pandemia?
Sperling – Sim, mas de forma indireta. O sentimento global de depressão age como um facilitador para o advento da pandemia. Há uma relação clara entre os humores da economia e a saúde pública. Vivemos numa sociedade de consumo, materialista. Todos sabemos como a falta de dinheiro pode fazer mal a saúde. Ela atrapalha nossos relacionamentos, causa tensão, ansiedade e insônia. Esta provado que o aumento dos níveis de estresse está relacionado a uma redução na capacidade de defesa do sistema imune. Logo, é razoável supor que uma crise economica mundial afete o sistema imune de centenas de milhões de pessoas. E é quando a humanidade está com a saúde fragilizada que eclodem as pandemias.


Há cura para a SBG?
Sperling – Precisamos criar alguma forma de terapia global. Por analogia, há vários meios para tratar um paciente com pânico. Usam-se remédios com a função de acalmá-lo. Não por acaso, acalmar os mercados e a prescrição usada pelas autoridades para deter o efeito manada nos momentos de pânico. O mesmo se aplica aos meios de comunicação. Acalmar a mídia significa dizer: “Nao reajam tão rapido, alardeando o mundo de que há uma nova crise. Esperem!”.

Isso é censura.
Sperling – Se quisermos interromper esse comportamento irracional coletivo, será preciso agir com despotismo. Esse e o problema que devemos enfrentar.

Fonte: Revista Epoca

Monday, September 28, 2009

Mensagens Subliminares Negativas Funcionam

As pessoas podem perceber mensagens subliminares, em especial se a mensagem for negativa, de acordo com um estudo britânico.

Em três experimentos na University College de Londres, palavras disfarçadas foram brevemente mostradas aos participantes para que classificassem-nas como emocional ou neutral.

O estudo, publicado na revista Emoção, diz que sermos capazes de reagir a estímulos extremamente pequenos nos ajuda a evitar o perigo e pode ser proveitoso em marketing .

Mas os críticos dizem que não há provas de que isto funcionaria fora de um laboratório.

Professora Nilli Lavie, do University College London, mostrou aos 50 participantes uma serie de palavras em uma tela de computador.

Cada palavra apareceu na tela por apenas uma fração de segundo - tempo muito rápido para que os participantes pudessem ler a palavra conscientemente.

As palavras eram positivas (por exemplo, alegre, flores, paz), negativas (por exemplo, agonia, desespero, homicídio) ou neutras (por exemplo,caixa, orelha, chaleira).

Depois de cada palavra, os participantes tiveram de escolher se a palavra era neutra ou emocional (positiva ou negativa) e o modo de como eles estavam confiantes de suas decisões.

Os pesquisadores descobriram que os participantes responderam mais corretamente quando responderam a palavras negativas, mesmo quando se acreditava que eles estavam apenas adivinhando a resposta.

Eles foram capazes de classificar com precisao 66% das palavras negativas, em comparação a 50% das positivas.

"Vantagens Evolutivas"

Professor Lavie disse: "Nós mostramos que as pessoas podem perceber o valor emocional de mensagens subliminares e demonstramos conclusivamente que as pessoas estão muito mais sintonizados com palavras negativas.

"Claramente, há vantagens evolutivas ao responder rapidamente a informação emocional.

"Nós não podemos esperar que a nossa consciência comece a ter um efeito se vermos alguem correndo em nossa direção com uma faca ou se dirigirmos sob condições de chuva ou nevoeiro e vermos um sinal alertando 'perigo '.

A propaganda subliminar não é permitida na televisão no Reino Unido.

Mas o professora Lavie disse que seu trabalho poderia ser aplicado a campanhas de marketing: "As palavras negativas podem ter um impacto mais rápido -"Kill Your Speed " ( neutralize sua velocidade ) deve funcionar melhor do que " Slow Down " (diminua a velocidade )".

"As qualidades negativas de um concorrente podem agir em um nível subconsciente e produzir um efeito muito mais real do que gritar sobre seus próprios pontos de venda, e isto e mais controversal."

Mas o psicólogo de marketing, Paul Buckley, da Cardiff School of Management, disse que não havia provas de que as mensagens subliminares funcionassem no mundo real: "De um ponto de vista prático, isso provavelmente não reflete o que aconteceria na vida real.

"Certamente muitos países ao redor do mundo tem legislação para proibir que mensagens subliminares sejam utilizadas na televisão e ninguem ainda foi capaz de apontar qualquer situacao em particular em que uma mensagem subliminar funcionou."

O estudo foi financiado pelo Wellcome Trust.

Fonte : BBC Health

Monday, April 13, 2009

Terceiro Braço : Membro Fantasma



A paciente de 64 anos havia perdido as funções de seu braço esquerdo após o acidente cerebral.


Mas poucos dias depois, ela desenvolveu um "terceiro membro", que ela dizia enxergar e usar para tocar objetos e até coçar o braço direito.


Usando exames de ressonância magnética, especialistas do Hospital Universitário de Genebra confirmaram que o cérebro da mulher emitia comandos ao "braço fantasma" e reconhecia suas ações.

Raro


A paciente diz que seu novo membro fica a sua esquerda e tem uma cor de leite, "quase transparente".


Segundo o neurologista Asaid Khateb, chefe da equipe que analisou as imagens cerebrais, trata-se de um caso extremamente raro em que o paciente não somente sente o membro imaginário, como também o enxerga e o movimenta voluntariamente.


O médico disse ainda que esta é a primeira vez que se mede a atividade cerebral a partir do contato com um membro fantasma.


O fenômeno do membro fantasma esta normalmente associado com pessoas que sofreram amputação. Segundo cientistas, entre 50% e 80% delas descrevem sensações de tato e dor na parte retirada.


As descobertas da equipe foram divulgadas na revista especializada Annals of Neurology.

Fonte: BBC Ciência & Saúde

Postagem relacionada :

Video em inglês com o Dr. Ramachandran : A Journey to the center of your mind : Eliminar dor intensa e paralisia

Monday, February 9, 2009

Aproveitando O Poder Do Cérebro

As pessoas que estão completamente paralisadas devido a doença ou traumatismo estão obtendo ajuda ao se comunicar através de uma nova tecnologia que conecta o cérebro a um computador.


Programa 60 Minutos da CBS : Harnessing The Power Of The Brain


Video: ( c/ 16 seg de propaganda )

Thursday, November 27, 2008

Neurocientista Teve Derrame E Ajudou Seu Cérebro Na Recuperação



Em 9 de dezembro de 1996, a neuroanatomista norte-americana Jill Bolte Taylor tinha 37 anos e foi para a cama com uma preocupação: como abastecer o banco de cérebros da Universidade Harvard, onde trabalhava, com órgãos recém retirados de vítimas de doenças mentais. 

Na manhã seguinte, seu mundo racional começou a se desintegrar.


Um coágulo no hemisfério esquerdo (ligado a razão) do seu cérebro provocou um derrame. Assim, ela teve de contar apenas com o hemisfério direito (associado ao pensamento simbólico e a criatividade) em um processo de recuperação que partiu da estaca zero. Quando a mãe da cientista — uma ex-professora de matemática — tentou ensinar o que era 1 + 1, ouviu como resposta: “O que é 1?”.


Passados 12 anos, uma cirurgia arriscadíssima e muita terapia, Jill voltou a dar aulas — na Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana — e diz que já recuperou todos os seus arquivos de memória. Essa experiência rendeu o recém lançado livro “A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro” (Ediouro) e a escolha pela revista “Time” como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2008. Leia a conversa da doutora com a revista Galileu.


Pergunta - Passados 12 anos desde o derrame, você acredita que já tenha reaberto todos os seus arquivos mentais? Ou, por exemplo, quando você encontra velhos amigos, eles sempre lembram de coisas que você, em tese, deveria ter na memória sem a ajuda deles?


Jill Taylor - Passei oito anos em recuperação. Sempre fui muito intuitiva e não me apegava a toneladas de detalhes. Assim, há muitas coisas que eu não codifiquei ou tentei me lembrar. Exemplo disso e o meu bolo de aniversário quando eu completei dez anos. Hoje eu sei como ele era — porque alguém me disse —, mas, antes do derrame, eu não seria capaz de descrevê-lo. Tenho a consciência de que sei coisas sobre o meu passado que ninguém me contou depois do derrame. Assim, acredito que eu tenho a maioria das minhas memórias de volta.


Pergunta - Mesmo sem experiência médica, sua mãe foi muito eficiente em te ajudar. Foi instinto? Experiência em ensinar?



Taylor - Acho que a experiência e os dons naturais dela, tanto como mãe como boa professora, a prepararam para enfrentar essa situação. Ela prestava muita atenção as minhas necessidades e me ajudava a encontrar minhas próprias soluções para os problemas. Nós falavamos muito sobre o cérebro, assim ela sabia de todos os meus temores. E nós duas concordavamos que nada nem ninguém sabia mais sobre o tratamento mais conveniente do que o meu próprio cérebro. Assim, se ficava cansado, deixavamos que ele dormisse.


Pergunta - A sua experiência pessoal mudou o modo como você ve e sente os papéis desempenhados pelos dois hemisférios do cérebro?



Taylor - Completamente. Antes do derrame, eu tinha uma visão geral do papel de cada hemisfério, mas eu não tinha a menor idéia de como dizer qual parte do meu cérebro estava contribuindo com qual informação para formar a minha percepção da realidade.


Pergunta - O que voc mudaria na maneira como os derrames são tratados?



Taylor - Eu deixaria as pessoas dormirem quando se sentissem cansadas e iria tratá-las com compaixão quando estivessem acordadas. Assumiria que o cérebro é capaz de se recuperar e o trataria com respeito. Em vez de me referir aos pacientes como “vítimas”, passaria a chamá-los de “sobreviventes”! Falaria que as pessoas “tiveram” um derrame em vez de “sofreram”.


Pergunta - No livro, você escreveu que tem uma paixão por dissecar corpos. Quando essa paixão começou?



Taylor - Quando eu era uma garotinha de cerca de 8 anos, minha mãe me levou ao Museu de Ci~encia de Chicago. Havia uma exposição com pequenos fetos e embriões dentro de vidros. As idades variavam de poucas semanas até nove meses. Eu fiquei absolutamente fascinada pela exposição, e esse foi o real começo do meu interesse em dissecação.


Pergunta - Depois de reconstituir seu hemisfério esquerdo, em que você se assemelha e difere da Jill pré derrame?



Taylor - Eu continuo tão esperta quanto antes, além de ter as mesmas capacidades cognitivas e intelectuais. Mas agora eu decidi gastar meu tempo fazendo coisas que vão ajudar outras pessoas, em vez de focar toda a minha energia na carreira. Estou mais interessada em ajudar a humanidade, e antes meu principal objetivo era escalar os degraus do mundo acadêmico.


Pergunta - O fato de ter utilizado com mais frequência o seu hemisfério direito alterou o seu pensamento? Você se lembra de como ele era antes do derrame?



Taylor - Agora ele está excepcional porque eu dediquei um tempo trabalhando essa parte do meu cérebro. Imediatamente depois do derrame, a sensação de que eu estava criativa era ainda mais clara e excitante. E essa sensação acabou se traduzindo na minha arte com vitrais.


Pergunta - Por falar em arte, além de confeccionar vitrais, você toca violão. Foi especialmente complicado recuperar esses seus talentos?



Taylor - Foi bem mais fácil que os cálculos matemáticos, mesmo aqueles mais elementares. Isso porque os talentos artísticos estão associados ao hemisfério direito do cérebro. Com a ausência temporaria do meu hemisfério esquerdo, esses talentos ate melhoraram.


Pergunta - Se a Jill do passado escrevesse um livro sobre uma experi~encia pessoal, seria muito diferente desse?



Taylor - Acho que seria um livro sobre algo bem aventureiro, como saltar de um avião. Outra ideia seria uma obra didática sobre o cérebro.


Fonte : G1 Ciência & Saúde

Revista Galileu

Time

Friday, September 26, 2008

Cientistas Explicam Como O Cérebro Reage A Leitura

O prazer de ler, todo mundo compreende. O que ninguém nunca soube explicar é de que forma isso acontece na cabeça das pessoas. Com a participação de pesquisadores brasileiros, a ciência conseguiu, pela primeira vez, fazer o mapa da leitura no cérebro humano.


Cientistas afirmam que, para cada sentido, para cada função, o cérebro reservou uma área. A região da audição, por exemplo, e acima da orelha. A da visão, atrás da cabeça. Mas, para a leitura, o cérebro ainda não teve tempo de desenvolver uma região específica. “A escrita tem cinco mil anos. Considerando o desenvolvimento da espécie humana, é muito recente”, explica a neurocientista do Hospital Sarah, Lucia Braga.


Neurocientistas do Hospital Sarah, de Brasília, e do Centro Neurospin, de Paris, descobriram que o cérebro junta as regiões da linguagem e da visão para proporcionar a leitura. O neurocientista frances Stanislas Dehaene afirma que o lado esquerdo do cérebro é ativado durante a leitura, precisamente atrás da orelha. A descoberta foi feita ao se submeter esímulos visuais dois grupos de pessoas examinadas através da ressonância magnética: alfabetizados e analfabetos.




“As pessoas alfabetizadas, ao lerem, elas ativam esse circuito. E as pessoas analfabetas, ao serem expostas a letras, não ativam esse circuito”, relata a neurocientista Lucia Braga.


Ela afirma que saber exatamente como o cérebro aciona a leitura abre novas possibilidades para a medicina. “Por exemplo, no diagnóstico da dislexia, no tratamento de pessoas que tiveram traumatismo craniano. O descobrir, desvendar os mistérios do cérebro e uma coisa fantástica e é um passo para o desenvolvimento”.


Fonte : G1 Ciência & Saúde

Tuesday, June 17, 2008

Estilo De Vida Saudável Promove Mudanças Genéticas


Mudanças radicais no estilo de vida tais como uma dieta mais saudável ou a prática regular de exercícios físicos podem prover não apenas um corpo melhor, como também uma melhora rápida e dramática na atividade genética da pessoa, afirmaram pesquisadores dos Estados Unidos nesta segunda-feira.

Em um pequeno estudo, os cientistas acompanharam 30 homens com cancer de próstata de baixo risco que decidiram não seguir o tratamento médico convencional, abrindo mão da cirurgia e das sessões de radiação ou terapia com hormônios.

Os homens submeteram-se, durante três meses, a estilos de vida totalmente diferentes, incluindo uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos, legumes e produtos de soja, exercícios físicos moderados como caminhar uma hora e meia por dia e a realização de uma hora diária de práticas de gerenciamento de estresse, tais como meditação.

Conforme o esperado, o grupo perdeu peso, viu diminuir sua pressão arterial e verificou outros ganhos em termos de saúde corporal. Mas os pesquisadores descobriram a ocorrência de mudanças mais profundas quando compararam as biópsias da próstata feitas antes com aquelas feitas depois da adoção do novo estilo de vida.

Apos três meses, os homens tiveram uma mudança de atividade em cerca de 500 genes - incluindo 48 deles que passaram a funcionar e 453 que deixaram de funcionar.

A atividade de genes capazes de prevenir doenças aumentou ao passo que vários genes causadores de doenças, tais como os envolvidos no cancer de próstata e de mama, desligaram-se, segundo o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A pesquisa foi comandada por Dean Ornish, chefe do Instituto de Pesquisa sobre Medicina Preventiva em Sausalito, Califórnia, um conhecido defensor de mudanças no estilo de vida para melhorar a saúde das pessoas.

Essa é uma descoberta animadora porque, com frequência, ouvimos as pessoas dizendo: 'Ah, isso é por causa da minha genética. O que eu posso fazer?'. Bom, parece que há muita coisa que podemos fazer' - disse, em uma entrevista concedida por telefone, Ornish, que possui laços também com a Universidade da California em San Francisco.

Em apenas três meses, sou capaz de influenciar centenas dos meus genes com uma simples mudança na minha dieta e na forma como vivo. Isso é muito empolgante - afirmou Ornish. 

As implicações do nosso estudo não se limitam aos homens com cancer de próstata.
Segundo Ornish, os homens evitaram o tratamento médico convencional para o cancer de próstata por motivos alheios ao estudo. Mas, ao tomar essa decisão, permitiram que os pesquisadores analisassem as biópsias de pessoas com câncer antes e depois da mudança em seu estilo de vida.

Isso nos deu a oportunidade de ter um motivo ético para fazer repetidas biópsias em um período de apenas três meses porque eles precisariam submeter-se a isso de qualquer forma a fim de avaliar as alterações clínicas (no cancer de próstata) - disse Ornish.


Will Dunham, Reuters

Fonte :

JB Online