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Monday, April 16, 2012

Células-Tronco : A Chave Da Regeneração

Entrevistas com cientistas prestigiados que revelam como as pesquisas com células-tronco são promissoras para o avanço da medicina moderna; e também com os pacientes que já têm a chance de experimentar esta revolução.




Tuesday, February 14, 2012

Cientistas Descobrem Mecanismo Que Ajuda A Entender Alzheimer

Cientistas argentinos descobriram um mecanismo que fornece novos dados sobre o funcionamento da comunicação entre neurônios, o que pode a judar a compreender doenças como o Mal de Alzheimer.

Trata-se de um mecanismo fundamental para a formação, fortalecimento e funcionamentos das sinapses, ou seja, os pontos de comunicação entre os neurônios, explicou a Agência de Ciência e Técnica do Instituto Leloir, onde  a pesquisa foi desenvolvida.

A equipe identificou neste processo de comunicação pacotes de ARN mensageiro (responsável pela transferência de informação do DNA) temporariamente inativos, denominados de "focos de silenciamento de mensageiros" , explicou Graciela Boccaccio, chefe do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Leloir.

Com a formação desses pacotes, o ARN mensageiro não pode cumprir sua função, que permite consolidar a comunicação entre neurônios para memória e aprendizagem.




Os cientistas também identificaram neste processo a proteina Smaug 1, que, quando bloqueada, produz um defeito sináptico grave e os neurônios não se desenvolvem completamente , de acordo com o estudo.

"Esses defeitos são muito similares aos observados em várias doenças neurodegenerativas", disse Boccaccio.

Para a pesquisadora, o estudo dá uma luz sobre como funciona o sinapse e pode ajudar a criar novos caminhos para entender doenças como o Mal de Alzheimer e a esclerose.

Durante o trabalho, publicado na revista "The Jornal of Cell Biology", os cientistas analisaram, neurônios do hipocampo, região do cérebro associada aos aspectos cognitivos.

Sunday, July 17, 2011

Genética e Crime



Cuidadosamente, criminologos voltam a estudar até que ponto características que induzem a criminalidade podem ser transmitidas de pai para filho.


O uso da biologia para explicar o comportamento de criminosos tem sido rejeitado por criminólogos que preferem ignorar a genética e se concentrar em causas sociais: miséria, vícios corrosivos, armas. Agora que o genoma humano foi sequenciado e cientistas estão estudando a genética de áreas tão variadas como alcoolismo e afiliação política, os criminologos estão cuidadosamente retornando ao assunto. Um pequeno quadro de especialistas está explorando como os genes podem aumentar o risco de se cometer um crime e se tal traço pode ser herdado.

“Durante os ultimos 30 ou 40 anos, a maioria dos criminólogos não podia dizer a palavra ‘genética’ sem cuspir”, diz Terrie E. Moffit, cientista comportamental da Universidade de Duke. “Hoje as teorias modernas mais convincentes sobre crime e violência envolvem ambos os temas sociais e biológicos”.

John H. Laub, diretor de um instituto de criminologia, que ganhou o Premio Esto­­colmo de Criminologia esse mês, se esforça para enfatizar que os genes são governados pelo ambiente, que pode ou amenizar ou agravar impulsos violentos. Muitas pessoas com a mesma tendência à agressão jamais darão um soco em alguém, enquanto outros sem ele podem ter uma carreira no crime.

O assunto ainda levanta questões éticas e políticas sensíveis. Será que uma predisposição genética deveria influenciar os vereditos? Será que testes genéticos poderiam ser usados para adaptar os programas de reabilitação a criminosos individuais? Será que adultos e crianças com um marcador biológico para violência deveriam ser identificados?

Todo mundo na área concorda que não existe um “gene do crime”. O que a maioria dos pesquisadores está procurando são traços herdados relacionados a agressão e comportamentos antissociais, que podem, por sua vez, levar ao crime violento. Não espere que alguém vá descobrir como o DNA de alguém pode identificar o próximo Ber­nard L. Madoff [um dos maiores fraudadores da história dos EUA].

Um gene que foi ligado a violência regula a produção da monoamina oxidase Aenzima, que controla a quantidade de serotonina no cérebro. Pessoas com uma versão do gene que produz menos dessa enzima tendem a ser significativamente mais impulsivas e agressivas, mas, como Moffitt e seu colega Avshalom Caspi descobriram, o efeito do gene e ativado por experiências estressantes.


Steven Pinker, professor de psicologia de Harvard cujo próximo livro, “The Better Angels of Our Nature” [“Os melhores anjos de nossa natureza”, em tradução livre] defende que seres humanos se tornaram menos violentos ao longo dos milênios, sugere que o me­­lhor modo de se pensar sobre genética e crime e começar pela natureza humana e en­­tão observar o que causa a ati­­vação ou não de um traço em particular.

Ele mencionou um dos maiores fatores de risco que levam ao crime: permanecer solteiro em vez de casar-se, uma ligação descoberta por Laub e Robert J. Sampson, um sociólogo de Harvard que foi covencedor do Prêmio Es­­tocolmo. O casamento pode servir como uma chave que redireciona as energias masculinas para serem investidas nu­­ma família em vez de em competição com outros ho­­mens, Pinker afirmou.

Novas pesquisas tem se focado no autocontrole, além da frieza e falta de empatia, traços regularmente en­­volvidos na decisão de se cometer um crime. Como com outros traços de personalidade, crê-se que eles tenham componentes ambientais e genéticos, embora o grau de herdabilidade seja discutível.

Entre os achados de um estudo a longo prazo com 1.000 bebês, em 1972, numa cidade da Nova Zelendia, Moffit e seus colegas recentemente relataram que quanto menor o autocontrole exibido aos 3 anos de idade, maior a probabilidade de que ele ou ela cometa um crime mais de 30 anos depois. Entre as criancas, 43% das que obtiveram uma avaliação abaixo de 20% em autocontrole foram mais tarde condenadas por algum crime. Já entre as que tiveram avaliações mais altas, o indice ficou em 13%.

Mas uma predisposição não é predestinação. “Saber que algo e herdado de modo algum nos diz qualquer coisa sobre se isso pode melhorar mudando ou nao o ambiente,” diz Moffit. “Por exemplo, o auto-controle e muito parecido com a altura, variando amplamente ao longo da po­­pulação humana e sendo altamente herdável, mas se uma intervenção eficaz como uma melhor alimentação for aplicada a toda a população, en­­tão todo mundo se torna mais alto que a geração anterior”, explica o pesquisador.

Sampson insiste que as ques­­tões mais interessantes sobre crime, sobre o porque de algumas comunidades terem uma criminalidade maior que ou­­tras, não são nem um pouco rastreáveis pela genética. “Quanto mais sofisticada a pesquisa genética, mais ela apontará para a importância do contexto social”.

            Gazeta do Povo : Mundo

Sunday, March 27, 2011

Dança do DNA

 
Tecnica,s como esta, ajudam  medicos
animadores a visualizar a ocorrencia de eventos celulares mais proximo do tempo real. Alem disto contribuem para a compreensao de como moleculas individuais e proteinas interagem a cerca de seu ambiente celular.


  
Fonte:  Virginia Tech

Monday, November 9, 2009

Vitiligo : Pesquisadores Do Paraná Identificam Um Dos Genes Causadores da Doença





Um grupo de médicos e geneticistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) fez uma importante descoberta sobre um gene associado ao vitiligo, doença que causa a despigmentação da pele. Coordenador do estudo, o dermatologista Caio Castro pesquisou cerca de 750 pessoas portadoras e não portadoras da enfermidade e descobriu que o gene produtor de uma proteina chamada DDR1 esta entre as causas do problema. Ela é responsável pela fixação dos melanócitos, que produzem a coloração da pele. Nos pacientes com a doença, havia irregularidades no gene que produz essa proteina. O estudo e parte da tese de Doutorado de Castro e tem orientação do geneticista Marcelo Mira, que também descobriu os genes associados a hanseníase. Eles apresentaram o trabalho em um congresso no Havai há duas semanas.


Quais são os fatores que in­­fluenciam no surgimento do vitiligo?
O vitiligo e uma doença que causa manchas brancas na pele, cabelo, pelos e mucosas. E considerada sistêmica porque alguns pacientes podem ter problemas de audição, inflamação nos olhos e cerca de 25% dos portadores tem também doenças de tireóide. É muito comum uma associação com outras doenças autoimunes. Não é contagiosa. Há células no corpo chamadas melanócitos, elas são as responsáveis pela produção da melanina, que dá a pigmentação da pele e protege contra os raios ultravioleta. Os melanócitos fi­­cam em uma camada bem superficial da pele, a epiderme, aderidos na chamada lamina basal. Para que ele fique aderido nesse lo­­cal, é preciso que haja uma substância (proteina) de ancoramento, auxiliando a fixação. Quem tem vitiligo, perde facilmente os melanócitos. Isso acontece nas áreas mais expostas em função de traumas físicos – como batidas, por exemplo – e químicos – como a exposição ao sol – e explica porque a manifestação ocorre mais nas mãos, face e genitais. Ela atinge 1% da população mundial em todas as faixas etárias. Na Índia chega a 1,76% e é considerada um dos principais problemas de saúde pública do país. O vitiligo é uma doença complexa porque não é causada somente por um gene. Para uma pessoa manifestar a doença, tem de ter mais de um gene alterado. Entre os fatores que a influenciam, por exemplo, está o estresse emocional. Em muitos casos, quando o paciente está estressado a despigmentação aumenta.

Existem duas teorias principais sobre as causas do vitiligo. A primeira é que ela seria uma doença autoimune. Ou seja, o próprio organismo ataca os melanócitos e os retira da camada basal da pele. O melanócito fica ligado ao queratinócito, que é a célula principal de revestimento da pele. Mas sabemos que só esta hipótese não dá conta da questão, porque há pacientes com vitiligo, cerca de 50%, que não tem autoimunidade. Por isso estamos procurando outras vertentes. A segunda teoria diz respeito a adesão dos melanócitos. Sabe-se, por meio de estudos experimentais, que os pacientes com o vitiligo tem uma fragilidade maior dos melanócitos em áreas de traumatismo. Isso causa o descolamento dessa substância. Uma curiosidade é que pode acontecer, inclusive, que alguns pacientes apresentem os dois tipos de defeito. O principal tratamento que traz benefícios e a fototerapia e, em alguns casos, os corticóides, mas não existe uma me­­dicação de laboratório específica, como há no caso da diabete ou doenças da tireóide, por exemplo. Na fototerapia, utiliza-se raios ultravioletas A ou B junto com alguns medicamentos para tentar estimular a repigmentação do local. Os melanócitos que não foram atingidos migram para as partes afetadas. É uma enfermidade pouco pesquisada e com poucas possibilidades de tratamento. Quando o paciente não responde bem a nenhuma dessas opções, ficamos sem alternativa.


Como começou sua pesquisa?
Sou o médico responsável por este setor na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Co­­me­­cei a fazer Doutorado em Ge­­nética do Vitiligo em 2007, na PUCPR. Junto com o professor Marcelo Mira criamos uma das poucas linhas de pesquisa sobre esta doença no mundo. Não há muitos estudos nesta área, mesmo sendo uma enfermidade comum. Quando descobrirem um medicamento, será uma revolução. Durante minha pós graduação, participei de uma seleção realizada pelo laboratório suíço Roche e fui para a Suíça pesquisar. O interessante é que eles assinaram uma carta abdicando de uma possível patente das descobertas. É um reconhecimento dos pesquisadores brasileiros.
Na pele normal existe uma proteina chamada DDR1. Ela é um receptor que faz com que o melanócito se ligue a lamina basal. É uma espécie de cola. Quando há um traumatismo ou estresse, o corpo envia uma mensagem para que os melanócitos se fixem com mais rigidez a pele, mas nos pacientes com vitiligo provavelmente exista uma falha nessa resposta. O ineditismo da pesquisa esta em identificar um dos genes causadores da doença e o que acontece com a DDR1. Até então não sabíamos que havia um problema com esta proteina que dificultava a adesão dos melanócitos. Para chegar a tal conclusão, coletamos inicialmente amostras de 1,1 mil pacientes de Santa Cata­rina e do Paraná, mas analisamos somente 860. Houve uma divisão em dois grupos: baseado em pessoas da mesma família e posteriormente entre portadores ou não da enfermidade. No primeiro foram 210 famílias. Estudamos pais, mães, avos, avós e irmãos. Depois, para comprovar a descoberta e ver se não havia ne­­nhum erro, selecionamos 134 indivíduos afetados e outros 134 não afetados. No­­vamente a constatação se confirmou: a probabilidade de um indivíduo ter vitiligo era muito maior quando apresentava alterações na DDR1.


E quais são os próximos passos agora?
Como já disse, o vitiligo e uma doença complexa. A nossa descoberta é um grande passo, mas os estudos continuam. Outros países devem replicar os resultados, ver como a DDR1 se comporta nas mais diversas populações. Os laboratórios também devem se interessar por essa área no futuro. Nos iremos estudar o que acontece com a proteina e analisar como ocorre essa falha na produção. E um caminho para desvendar a doença e encontrar uma medicação efetiva. No entanto, ainda vai demorar cerca de dez anos para termos algo concreto em relação a cura.




Fonte: Gazeta do Povo - Saúde

Thursday, May 21, 2009

Exame Determina A Dose Correta De Medicamento Psiquiátrico

Um exame que mostra como e o comportamento de duas enzimas responsáveis pelo controle do metabolismo e a distribuição de medicamentos pelo organismo ajuda a determinar a dose certa de remédios para cada paciente. 


O exame, que já existe no exterior, foi elaborado no Brasil pelo Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e promete revolucionar a área, além de ser o primeiro passo para o caminho da medicina personalizada.

O diretor do laboratório, Wagner Gattaz, explicou que o indivíduo pode ter três reações ao medicamento prescrito pelo médico: que o remédio faça bem e o paciente melhore; que o medicamento não faça efeito; e que melhore, mas sofra efeitos colaterais. Segundo ele, essas diferenças são geneticamente determinadas pelas enzimas CYP2D6 e CYP2C19, mapeadas pelo exame.

O teste funciona com uma pequena amostra de sangue, mas e complexo, com vários passos, e é um procedimento de alta tecnologia. Como esse teste é feito aqui no nosso laboratório, conseguimos fazer um teste eficaz, exato, mas a um custo inferior ao que se comercializa no exterior. Ele permite classificar as pessoas entre aquelas que metabolizam normalmente os medicamentos, aquelas que metabolizam muito rápido e aquelas que metabolizam muito devagar.

Gattaz afirmou que com o resultado do exame e possível orientar o médico a respeito da dose necessária para cada paciente, a chamada medicina personalizada, dedicada a características de cada um.

Pessoas que metabolizam muito rápido vão precisar de uma dose maior e o contrário, aquelas que tem o metabolismo lento podem ter a dose reduzida para filtrar os efeitos colaterais, deixando apenas os efeitos terap~euticos desejáveis no tratamento.
O médico disse ainda que o teste já esta sendo oferecido aos pacientes do instituto, mas por ser caro, ainda não e coberto pelo Sistema Unico de Saúde (SUS).

Nossa esperança e de que em breve a utilidade desse teste seja reconhecida e que o SUS passe a cobrir seus custos. Isso permitira que a grande massa da populaçãao possa usufruir desse progresso.

Para o diretor do Departamento de Psiquiatria da Santa Casa de São Paulo, Sergio Tamai, a utilização do exame no Brasil e muito positiva e importante, porque em pessoas diferentes as dosagens podem variar em ate quatro vezes. Ele ressaltou que esse exame tem aplicação nao so na área psiquiátrica, mas em outras.

Importa o quanto a medicação fica circulando no sangue e atinge os órgãos. Isso porque a maior parte das drogas e medicações e eliminada pelo fígado em mais de 50% e a velocidade com que esses medicamentos sao metabolizados e determinada pelos genes. 

Além disso, podemos pensar nos efeitos colaterais. E positivo ainda nos casos de medicações nas quais o efeito terapêutico está muito próximo do efeito tóxico - afirmou.

O diretor adjunto da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre), Jose Alberto Orsi, contou que toma três medicamentos diferentes depois de sete anos tentando descobrir qual seria o melhor remédio e a dose mais adequada.

Não fiz nenhum teste até hoje e saber que existe esse tipo de teste me deixa surpreso. Eu faria esse teste, sem duvida alguma. Apesar de ser caro, o custo que se tem de uma medicação não acertada supera muito qualquer valor de um exame.

Monday, December 8, 2008

A Vida Conectada

Filme falando sobre os hábitos de consumo da humanidade nos dias atuais e seus impactos ambientais, destacando a questão do consumo alimentar de carne animal e como isso afeta negativamente o nosso planeta.

Mostra também novos hábitos que podemos e devemos adquirir para tentar frear a destuição.

Video: Parte 1




Video: Parte 2



Fonte: TheCognoscereNew YouTube Channel

Monday, September 1, 2008

A Primeira Descoberta Do DNA - Espiral

Créditos a : Alysson Muotri - G1

São realmente poucos os que lembram quem descobriu o DNA. Mesmo entre biólogos moleculares, e difícil encontrar um que saiba. Acho que a razão disso foi o tremendo impacto que a estrutura da molécula, revelada por Watson e Crick na década de 1950, trouxe para a biologia. O descobrimento da estrutura do DNA ocultou por completo a história de sua própria descoberta, 75 anos antes.

Foi em 26 de fevereiro de 1869 que o suiço Johann Friedrich Miescher escreveu uma carta para seu tio relatando sua nova descoberta, na Universidade de Tubingen, na Alemanha. Friedrich, como era conhecido, descobriu uma substância que estava presente no núcleo de todas as células, e que possuia uma característica química diferente das proteinas ou outro componente celular conhecido. Sem saber do valor desse achado, o jovem médico iniciou uma das maiores revoluções científicas, que, anos mais tarde, iria mudar completamente a compreensão do conceito de vida, além de promover inúmeros avanços médicos.

Friedrich nasceu numa familia de cientistas, em 1844, e foi exposto desde cedo a conceitos e debates científicos. Nesse contexto, não foi novidade que ele desenvolvesse uma atração pelas ciências naturais. Mas, como era costume na época, Friedrich formou-se médico primeiro, aventurando-se depois na ciência básica, principalmente na bioquímica. Essa inclinação foi influenciada por um tio, professor de fisiologia na Universidade de Basileia, na Suiça, que acreditava que as questões relacionadas com o desenvolvimento dos tecidos somente seriam resolvidas com base química.

Friedrich começou a trabalhar sob a supervisão de um famoso químico na época, Felix Hoppe-Seyler, que o encarregou de caracterizar a composição quimica das células. A idéia era utilizar linfócitos, células do sistema imune que estão presentes no sangue, usadas no laboratório de Hoppe-Seyler. Infelizmente, era difícil conseguir grandes quantidades desse tipo celular para análises químicas. Friedrich decidiu então tentar leucócitos, outra célula do sangue, que ele conseguia em abundância no pus. As células eram isoladas de curativos purulentos de um hospital da cidade (lembre-se de que não haviam anti sépticos, e o que não faltava era machucado cheio de pus!).

Depois de padronizar as condições para isolar células, Friedrich começou a caracterizar as proteinas. Logo percebeu que a complexidade proteica era enorme. Como muitos na época, ele acreditava que entenderia como a célula funcionava caracterizando a diversidade proteica. Numa de suas tentativas, Friedrich descobriu uma substância com propriedades únicas: conseguiu precipita-la com ácidos e, ao ser dissolvida novamente, tornava a solução alcalina.

Essa deve ter sido a primeira purificaÇÃo de DNA da histÓria. Mais interessante ainda, a substÂncia parecia estar totalmente localizada no nÚcleo celular, uma estrutura de intenso debate cientÍfico naquele momento. Friedrich batizou o novo composto de “nucleina”. Vale lembrar que, mesmo sem saber qual a real funÇÃo do nÚcleo da célula, outro biólogo alemão, Ernst Haeckel, já havia proposto que ele continha os fatores da hereditariedade. Isso três anos antes da descoberta de Friedrich.

Essa discussão toda sobre o núcleo celular estimulou Friedrich a aprimorar os métodos de purificação da nucleina. Conseguiu isso digerindo os lipídeos com álcool e as proteinas com pepsina, uma enzima que degrada proteinas, abundante no estômago de porcos. Pois é: lá foi ele isolar pepsina e, tratando a nucleina, demonstrou que realmente a substância nã
o era mesmo de origem proteica. A caracterização química da nucleina revelou que ela continha carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrog~enio, além de grandes quantidades de fosfato (algo raro nas moléculas organicas caracterizadas na época). Com isso, Friedrich se convenceu que tinha em mãos algo original. Próximo passo: publicação!

Quando o manuscrito de Friedrich ficou pronto, ele já estava num outro laboratório. Mesmo assim, decidiu que publicaria os achados na revista cientifica cujo editor era Hoppe-Seyler, seu antigo supervisor. Ironicamente, Hoppe-Seyler decidiu não publicar os resultados da pesquisa antes de comprovar por si próprio os achados de Friedrich. Essa atitude ocorreu porque naquele momento, o laboratório de Hoppe-Seyler estava sob suspeita, pois outros experimentos não estavam sendo duplicados. Além disso, o fato de Friedrich ter sido um ex aluno fez com que Hoppe-Seyler fosse ultra-rigoroso com o trabalho.

Pra piorar, os resultados iniciais de Hoppe-Seyler não replicaram totalmente os achados de Friedrich. Obviamente, as condições ideais tinham que ser restabelecidas, e isso levaria tempo. Levou quase dois anos! Em 1871 o trabalho foi finalmente publicado, com um titulo nada atraente: “Composiçao química das células do pus”. No mesmo jornal, dois outros artigos de Hoppe-Seyler, confirmando a descoberta e purificando a nucleina em outros tipos celulares de diferentes espécies, foram publicados. Agora com seu próprio laboratório, Friedrich tinha que competir com Hoppe-Seyler, que se interessou em continuar as pesquisas com a nucleina. E incrivel como essas histórias são tão atuais!

Enfim, Friedrich não desanimou e decidiu estudar a nucleina nas células germinativas (como os espermatozóides e os óvulos), afinal ele tinha grande interesse em hereditariedade e desenvolvimento dos tecidos. Logo percebeu que o esperma era rico em nucleina e, portanto, uma otima fonte para seus estudos bioquímicos. Friedrich aproveitou-se do fato de estar perto de uma companhia que pescava e comercializava salmões. Tinha acesso a salmões frescos e começou a usar esperma de salmão como fonte de nucleina, aprimorando rapidamente seus protocolos de isolamento.

Vale notar que nessa época, aconteciam intensos debates na comunidade científica sobre como o embrião se desenvolvia e como funcionava a hereditariedade. Num de seus artigos, Friedrich escreveu que a nucleina poderia ser um dos responsáveis pelo processo de fertilização, mas não acreditava que seria capaz de transmitir características hereditárias. Como a maioria naquela época, Friedrich estava convencido que as proteinas eram responsáveis pela hereditariedade.

Chegou a especular que as diferenças atmicas entre as proteinas poderiam gerar a diversidade esperada para todas as formas de vida. Foi mais além, dizendo que, durante o desenvolvimento embrionário, a fusão da informação das duas células germinativas eliminaria eventuais erros nas proteinas. Essa visão parece antecipar o conceito genético de alelo, onde um gene defeituoso do pai pode ser compensado pela presença do gene correto da mãe e vice versa.

A continuacção das pesquisas de Friedrich foi intensa, e eu precisaria de uma outra coluna só pra falar dela. A determinação dele como cientista foi notável, mas foi também responsável pela sua morte. Ficava cada vez mais tempo no laboratório, isolado socialmente, dormindo pouco e exausto, ate que contraiu tuberculose. Morreu com apenas 51 anos. Após sua morte, seu tio e admirador publicou uma compilação de seus trabalhos. Escreveu na introdução que os achados de Friedrich não seriam esquecidos com o tempo, mas que suas idéias seriam sementes para futuros frutos científicos. Mal sabia ele…

Segue um protocolo simples para a extração do DNA usando produtos de cozinha. O principio ainda e bem parecido com o de Friedrich.

Fonte : G1 Ciência e Saúde

Monday, March 3, 2008

Animações Sobre DNA

Ácido Desoxirribonuclêico
* Todas os videos estão em ingles .

1. 
Video: Genoma Humano - Como funciona e como afeta a nossa vida 



2. Video:
A Estrutura do DNA




3. 
Video
Replicação do DNA 




4. Video:
DNA Recombinante: a animaçao em 3D ilustra o processo pelo qual uma proteina é produzida em massa usando DNA " emendado " e replicação de bactérias.



Mais Informações

O DNA vai a Escola 
(página com muitas links sobre o assunto, porém algumas estão desatualizadas)

Aulas Virtuais
(UFRGS) 
DNA - RNA : Introdução